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“Filho mal educado trabalho dobrado”.


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. O que interfere no comportamento infantil?
Há uma grande variedade de perturbações, acontecimentos e sentimentos que podem interferir no comportamento infantil. É importante ressaltar que cada criança é de um jeito e, portanto, é singular e vai reagir de diferentes modos às situações.
Vejam só: se uma criança de três anos e meio, passa o dia brincando na escola e quando chega em casa faz birra, chora e não te atende em nada, pode ser que ela esteja cansada e com fome ao invés de ser indisciplinada. O que ocorre é que acham que devemos disciplinar sempre, em todas as situações, aplicando castigos e punições. Alguns pais até batem na criança, pois seu estresse está nas alturas e a criança não colabora.
É preciso primeiro avaliar possíveis causas desse ou daquele comportamento para depois tomar uma atitude. Essa criança em questão, que chora e faz birra, não pode receber uma punição só porque não consegue lidar, ainda, com as sensações do cansaço.
A fome é sentida pela criança, por muitas vezes, como uma sensação desagradável, de vazio ou de dor. Perceba, olhe, reflita sobre o que pode estar originando o mau comportamento da criança. Não estaremos sendo permissivos se pegarmos essa criança no colo e perguntarmos o que ela quer, ou oferecer um alimento, ou preparar um banho relaxante e, se possível, tudo de forma calma e harmoniosa. Tentem! A criança vai entender que quando chega da escola com cansaço ou fome vai ser recebida com carinho e cuidados especiais de alguém da família, e em consequência, ficará mais calma.
Notem como a criança se tranquiliza depois do banho e da refeição. Outro exemplo de interferência no comportamento infantil é as discussões dos pais, enquanto os filhos assistem à TV ou brincam. É comum acharmos que a criança não estava prestando atenção em nada, mas discussão entre os pais pode gerar medo, angústia ou raiva na criança, e ela revelará esses sentimentos e sensações através de comportamentos inadequados. Também entendo que há criança que apronta muito e a toda hora, sem que haja uma motivação presente. Nesse caso é preciso muita conversa e disciplina.
2. Como corrigir a criança quando ela fala palavrões?
Se a criança fala palavrões é porque aprendeu com alguém e em algum lugar, entre amigos ou mesmo em casa.
Tudo bem, não podemos colocar nossos filhos numa redoma de vidro para que não aprendam 'coisas feias'. Contudo, você fala palavrões? Nós, pais, somos o maior exemplo para a criança e se deixarmos escapar um ou outro de vez em quando, a criança também vai falar. E se batermos na boca da criança estaremos sendo bastante agressivos e a criança ficará confusa porque aprendeu a falar palavrões ouvindo seus pais.
Creio que, a melhor maneira é conversar sobre isso, explicando à criança que ela não tem permissão para falar essas palavras feias. Se for um pré-adolescente os pais devem alertá-lo que esse palavreado é usado no grupinho de amigos e não dentro de casa, escola, ou em reunião de pessoas ou familiares. Assim, ele saberá discernir quando poderá falar palavrões e onde é proibido.
Agora, impedir um jovenzinho de falar palavrões em todos os lugares, nem entre amigos é, com certeza, uma atitude que ele não conseguirá cumprir, devido ao fato de estar numa idade em que 'é gostoso quebrar regras'.
3. Qual a melhor hora e melhor maneira de ensinar as crianças que falar palavrões é feio?  
A melhor maneira é sermos um bom exemplo. Não adianta nada ditar as proibições às crianças e sair soltando palavrões. Também é um tanto injusto dizer 'eu posso, você não'. Desde muito pequena a criança vai absorver o que ocorre ao seu redor, aprendendo por imitação e observação.  
Então não fale palavrões nem num dia de trânsito parado, nem quando pisarem no seu pé, nem quando a criança estiver dormindo ao seu lado. Nos diálogos introduza a sua opinião a respeito do palavrão. A criança com dois ou três anos já sabe ouvir: "não pode dizer isso, porque é feio!" As crianças, principalmente os meninos de oito ou nove anos, devem ouvir de maneira clara onde é proibido falar palavrões.
Faça um acordo com a criança, pergunte qual punição ela quer receber quando soltar um palavrão em casa ou outros lugares proibidos. Pode ser perder um desenho na televisão ou ficar sentado um tempinho. A criança que sabe com antecedência que vai ser punida, porque cometeu um erro, não sente raiva dos pais. Apenas aprende que atitudes erradas levam a um castigo. É um acordo sobre bons modos. E atenção, leve a sério a punição escolhida entre pais e filhos, porque se a punição não ocorrer, seu filho vai achar que sua lei/autoridade é fraca, e não vai mais respeitar o acordo e nem você. Esse acordo costuma ser bastante eficaz se os pais estiverem dispostos, também, a respeitá-lo.
4. Quando a criança faz escândalos em público, o que fazer?
Os escândalos em público costumam acontecer dos dois aos cinco anos, mais ou menos. A birra, os gritos e escândalos em público têm um único sentido: a presença do público! Atenção, não é para os outros que a criança se joga no chão e grita. É para você! Eles notaram, numa primeira vez, que você ficou constrangido e com vergonha do público e, então, passam a 'envergonhá-lo' para que você ceda a um pedido dele. O escândalo não vai ter sentido se você ignorá-lo, virar as costas e fingir observar uma vitrine. Nunca deixe seu filhinho largado no chão e ande. Pelo contrário. Saia de perto o suficiente para mantê-lo sob seu olhar protetor. Apenas ignore, silencie e dirija seu olhar para outra vitrine. Você vai ver que a criança levantará e irá atrás de você.
Se a criança insistir na birra, gritando, se jogando no chão, continue a ignorar. Se ela vier até você com 'choro sentido', mais triste do que brava é hora de abaixar-se na altura da criança e explicar que você entende a vontade dela de ter aquele brinquedo, mas que hoje não é o dia de comprar, ou não há dinheiro suficiente.
Faça um acordo de presenteá-la numa data comemorativa e cumpra o prometido. Se os pais morrem de vergonha dos olhares ao redor e acaba cedendo aos desejos da criança para que ela pare de gritar, estará ensinando que todas às vezes que você disser 'não, não pode' é só se jogar no chão e berrar que você realizará o desejo dela na hora.
Pais entendam que os berros do seu filho chamam, realmente, a atenção do público, entretanto, eles sabem que esse comportamento é típico da criança, então não há do que se envergonhar. Na hora do escândalo não tente conversar ou segurar a criança porque piora a situação, pois é show mesmo que seu filho quer! A criança está demonstrando que não quer ser contrariada! Mas o que deve valer é o NÃO.
A criança deve aprender desde pequena a ouvir "não", pois a vida não poderá dar tudo o que ela quer! As pequenas frustrações ajudam a criança a aguentar "os nãos da vida"! Em casa, vocês podem conversar sobre o que aconteceu, mostrando seu desapontamento, mas sem deixá-la perceber que essa situação é constrangedora para você. Crianças são espertas e observadoras, não é mesmo? Atenção para não ser manipulada!
5. Ao receber visitas de outras crianças em casa, o que devemos fazer para que nossos filhos os tratem bem?
Não há como exigir um comportamento exato da criança, mesmo porque são dezenas de situações diferentes, e fica impossível prever todas elas. Você conhece seu filho? Sabe se ele é ciumento com seus brinquedos? Se ele for, ajude-o a guardar no armário aqueles com os quais ele não quer que o filho da visita brinque. Faça uma caixinha com os brinquedos que podem fazer parte da brincadeira das crianças e coloque num lugar no qual as crianças possam se divertir enquanto os adultos conversam.
Se receber criança em casa, sem a presença de seus pais, então você é responsável por ela. Tenha sempre atenção e vá mediando a brincadeira, propondo acordos, evitando, assim, as brigas por brinquedo. Em último caso, combine com as crianças que se brigarem a brincadeira acabará e o amiguinho será levado para sua casa. Faça isso uma vez e você verá que das próximas vezes, quando iniciarem uma briga, e você disser 'Pronto! Vamos acabar com a brincadeira e o amiguinho irá embora', na hora eles param de brigar e continuam a brincadeira. Uma dica: Sente com as crianças e estabeleça as regras do que pode e do que não pode acontecer. Assim não serão pegos de surpresa com uma punição não prevista.
Crianças precisam de limites, precisam ser avisadas sobre o que se espera delas. E os pais precisam de bom senso para avaliar como resolver a quebra de regra, o que, nem sempre, é feito com punição.  
6. O que significa o comportamento bruto das crianças? Como tratá-lo?
Algumas crianças, principalmente meninos, apresentam um comportamento bruto: derrubam coisas por onde passam, machucam outras crianças sem intenção, são impulsivos respondendo rapidamente e sem pesar, ou agindo sem reflexão prévia. crianças são brutas, porque os pais também o são.
Devemos ter olhar apurado para avaliar se esse é o 'jeito' da criança se apresentar ao mundo, se está reagindo a uma determinada situação ou se está imitando adultos. Reconhecendo as motivações da criança fica mais fácil interferir nesse comportamento.
O mais importante é, junto ao seu filho, conversar sobre as conseqüências dessas ações ou desse jeito de ser, ensinando-o a pedir desculpas ao outro prejudicado, ou assumindo, propondo soluções para consertar os estragos.
7. Quais são as regras que os pais devem seguir para que os filhos tenham boa conduta?  
Muito bem! Pais precisam, também, de regras! E a regra número um é o bom-senso. Ele o dosador mais sábio para ajustar acordos e punições. Devemos ficar atentos aos nossos comportamentos. Se agirmos, por exemplo, de forma agressiva com o vizinho, o que se espera que a criança aprenda?  
Ao olharmos para nós mesmos, como pais, educadores e modelos e fizermos uma análise do nosso jeito de ser no mundo, observarmos a maneira como lidamos com situações adversas poderemos entender porquê nossos filhos têm esse ou aquele comportamento.  
Mesmo que a criança passe o dia todo na escola, o que sempre valerá é o que foi aprendido com as figuras afetivas e, portanto, significativas. O 'cuidador afetivo' é aquele que ama a criança, provê suas necessidades integrais, seja pai, mãe, avó ou tio. Se for escolhido pela criança como figura de grande valência será, também, modelo para aprendizagens! Isso quer dizer que o mundo pode ensinar muitas coisas erradas às crianças, mas ela aprenderá mesmo destas pessoas afetivas.  
8. Quais os tipos de punições que não devem ser usadas pelos pais?  
Vamos encarar uma verdade: os pais estão batendo menos nos seus filhos, mas isso não significa que a criança esteja a salvo. Desta forma, não dão 'cintadas', mas agridem psicologicamente, o que na minha opinião é mais dolorido do que uma chinelada.  
Muitos pais xingam seus filhos, deixando a autoestima das crianças em pedaços! Outros ameaçam que vão abandoná-los, ou que vão escalpelá-los. Parem já com isso! As ameaças criam fantasmas que geram medos, que geram ansiedades, que geram síndromes e pânicos.  
O número de crianças com problemas de obesidade tem crescido muito. Levanto uma questão: será que grande parte dessas crianças obesas tem autoestima negativa e será que comem muito para preencherem um vazio deixado pela ausência da afetividade ou pela alta exigência de pais que só cobram ou só menosprezam a criança?  
Já perceberam que há grupos de pais que se unem para reclamar dos filhos? Onde estão os elogios? A criança com boas notas recebe elogios? Os pais ligam para seus amigos e mostram orgulho do pequeno? Não elogiar também é uma punição! Por isso, pais pensem em como elevar a autoestima dos pequenos e perceberão que não precisarão punir tantas vezes. Uma criança que se sente amada e recebe carinho e limites em doses equilibradas não precisa de inúmeras punições, porque seu comportamento fica adequado. Mas, se for necessário punir, nunca: Bata na cabeça ou no rosto, porque isso é humilhante; Não deixe a criança num quarto escuro, isso é assustador; Não bata com forte sentimento de raiva, pois nessa hora a sua força fica desmedida; Não retire um passeio que acontecerá em uma semana. Essa punição vale para adolescente, mas para crianças pequenas não vale, pois elas não têm noção temporal e não vão entender porque estão sendo punidas por algo que elas nem se lembram mais.  
Procure punir no mesmo dia em que a criança quebrou a regra e converse sempre sobre o certo e o errado nas traquinagens infantis. Complete dizendo "Isso que você fez é errado" e não "Você só faz coisa errada". Assim, a criança saberá que ela não é um erro, mas sim aquilo que ela fez e que de certa forma, sempre terá a chance de fazer certo.  
9. Qual a melhor maneira de educar filhos mal-educados?  
Se os filhos estão mal-educados é porque a família falhou e a punição desta família é a própria conduta errada de seus filhos. Mas sempre a tempo de corrigir as falhas. A educação começa em casa, e não na escola.  
Os pais devem sentar e conversar clara e abertamente sobre o tipo de educação que deram aos seus filhos. Não procurem culpados, a hora é de propor soluções, fazer acordos e iniciar mudanças. Ao chegarem numa conclusão de concordância mútua, chame os filhos para participarem das atitudes que a família vai alterar na educação dos mesmos. Peça a opinião deles, acertem os acordos, deixem as crianças falarem sobre o que sentem, o que querem, e como poderão ser punidos. Envolver as crianças nesses acordos é muito bom, pois quanto mais participativa a criança for, mais responsabilidade e comprometimento terá.  
Se for preciso escrevam tudo isso. Mas lembrem-se que não podemos somente exigir mudanças dos filhos, temos que estar dispostos a mudar também. Talvez seu filho esteja agressivo na escola porque você não dá a atenção de que ele necessita. Essa atenção varia de criança para criança.  
É necessário verificar a qualidade dessa atenção, pois dar atenção não é o mesmo que dar brinquedos. Na dúvida ou na impossibilidade de realizar esses acordos ou mudanças na educação dos filhos procure um profissional da psicologia e sinta-se mais seguro para efetivar as transformações. Muitos comportamentos inadequados das crianças ocorrem porque elas querem chamar à atenção de seus pais, e não sabendo como fazê-lo, acabam errando e percebem que ganham a atenção, ainda que seja retribuída com bronca, punições e castigos.  
O que essa criança mal-educada está tentando dizer aos pais? Para fechar essa questão lanço outra pergunta para reflexão: O que meu filho quer verdadeiramente de mim? Vale a pena pensar sobre isso.  


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